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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O Cristianismo Positivo

Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. (Sl 1.1,2)

    Preocupa-me bastante o fato de muitas pessoas entenderem e viverem o cristianismo apenas de uma perspectiva negativa. Refiro-me à ideia de que a fé em Jesus Cristo consista no que "não fazer" apenas. Muitas pessoas engrossam as fileiras cristãs após abandonarem suas vidas pregressas, e entendem que isso seja evidência suficiente de uma fé salvadora. De fato, muitos acham que fazem um favor ao Reino com os seus "super testemunhos"!
    Não estou com isso desprezando a importância de uma vida transformada. Longe de mim advogar a libertinagem! Constantemente as Escrituras exigem de nós uma vida de santificação (Hb 12.14; 1 Pe 1.16), mas a santidade demandada pelas Escrituras tem um fundamento positivo que é geralmente ignorado pelos que afirmam viverem a santidade cristã. Ou seja, muitos são adeptos do cristianismo como os hindus são do hinduísmo ou como  os muçulmanos são do islamismo; apenas acrescentaram um código moral atraente e envolvente à sua religiosidade.
    Mesmo na torá que às vezes é vista por muitos apenas como um código de leis é expressa claramente a realidade do amor como motivação à obediência (Dt 6.5; 11.1); os profetas também proclamaram o amor Soberano como fundamento da verdadeira fé (Jr 31.3; Ml 1.2); o salmista ama a Lei, por isso, se debruça nela diariamente (Sl 119.97); e o que dizer do maior de todos os mandamentos "Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força." (Mc 12.30).
    Paulo escrevendo aos gálatas, combatendo os judaizantes que ameaçavam a suficiência do evangelho com suas tradições legalistas, resume de forma belíssima o fundamento de uma vida santa e piedosa " Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor." (Gl 5.6) não é o ser judeu ou o não ser judeu, mas o amor como evidência do Amor primeiro (1 Jo 4.19).
    É importante o aspecto negativo da fé, ou seja, a mudança de comportamento não é prescindível para o cristão. Não ouvir o conselho dos ímpios, não se deter no caminho dos pecadores e não se assentar na roda dos escarnecedores reflete a realidade dos bem-aventurados. Porém, essas atitudes não são um fim em si mesmas; o que abandona o conselho dos ímpios aprendeu a ouvir o conselho do Altíssimo, o que não se detém no caminho dos pecadores aprendeu a trilhar as veredas da justiça e o que não se assenta na roda dos escarnecedores descobriu um banquete aos pés do Todo Poderoso. De fato, o prazer contínuo na Lei do SENHOR proporcionou ao salmista uma vida transformada, ou seja, o aspecto negativo está para o aspecto positivo, assim como o fruto está para a raiz. Abandonar o erro é uma consequência do amor pela Lei que o salmista aprendeu a amar.
    Encontro hoje muitos que se apresentam como "ex-crentes"! Mas, será que isso de fato existe? Creio que não! Essas pessoas apenas por um tempo se deixaram levar pela realidade externa da fé cristã no que consiste ao seu aspecto negativo, ou seja, parar de beber, parar de fumar, prostituição, etc. Na realidade se conformaram a um padrão comportamental destituído de amor e de vida. O cristianismo positivo não despreza a realidade negativa, mas a fundamenta. Amamos porque Ele nos amou, e assim, vivemos uma vida de santidade fruto de corações que foram vencidos pelo amor do Redentor. No cristianismo positivo o prazer é a raiz do dever! 

Rev. André Luís



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